Resposta direta: Para criar um inventário de IA no setor público, levante os usos por processo, incluindo pilotos e recursos incorporados a outros sistemas. Registre finalidade, responsáveis, dados, ferramenta, estágio e decisões apoiadas. Diferencie uso declarado de uso autorizado, confirme as informações com cada área e atualize o registro quando houver mudança relevante.

Escolha como cada uso será identificado

Comece pelo processo em que a inteligência artificial participa. Uma mesma ferramenta pode ajudar na revisão de textos públicos em uma área e analisar documentos internos em outra. Tratar as duas situações como uma única licença esconde diferenças de finalidade, informação e responsabilidade. O registro deve permitir avaliar cada aplicação sem exigir que o inventário reproduza todas as atividades diárias.

Use um identificador estável e uma descrição curta da tarefa. Separe o cadastro do uso dos dados sobre a ferramenta: produto, fornecedor e modelo podem ser compartilhados por vários registros. Quando houver mudança de finalidade ou de público afetado, avalie se é necessário criar outro item. Evite abrir um registro novo para cada pergunta feita ao sistema.

O inventário é uma peça dos controles de governança de IA. Sua função inicial é mostrar o que existe, inclusive o que ainda precisa de análise. Ele não deve receber aparência de selo de conformidade apenas porque os campos foram preenchidos.

Procure além dos projetos formalmente aprovados

Combine entrevistas curtas com áreas usuárias, revisão de contratos e consulta aos responsáveis pelos sistemas. Pergunte sobre tarefas concretas: quem prepara resumos, classifica mensagens, transcreve reuniões ou recebe sugestões automáticas? Perguntar apenas quem usa IA pode deixar de fora recursos incorporados a plataformas que as pessoas conhecem por outro nome.

Inclua experimentos, ferramentas gratuitas e funcionalidades ativadas pelo fornecedor. Registre também usos encerrados que deixaram dados ou dependências relevantes. Não solicite senhas, cópias de conversas ou documentos pessoais para comprovar a declaração. Nome da ferramenta, atividade e contexto costumam bastar para iniciar uma verificação com acesso restrito quando necessário.

O Núcleo de IA do Governo Digital mantém pesquisa sobre adoção no Executivo Federal. Em âmbito municipal, o manual de implementação da política de IA da SEGES de São Paulo recomenda identificar processos e registrar iniciativas em inventário. Esses exemplos mostram a utilidade do levantamento, respeitados seus âmbitos institucionais próprios.

Monte uma ficha que leve a uma decisão

A ficha pode reunir identificação, área, finalidade, responsável pelo processo, referência técnica, usuários, pessoas afetadas, estágio e data da conferência. Acrescente a ferramenta empregada e o papel da saída: sugestão, minuta, classificação ou apoio a uma decisão. Descrever esse papel é mais informativo que marcar genericamente um campo chamado automação.

Registre os tipos de informação utilizados, a origem e os ambientes de processamento conhecidos. Se não houver confirmação sobre armazenamento, treinamento pelo fornecedor ou localização, marque a informação como pendente e atribua a verificação. Um campo desconhecido não deve virar uma resposta tranquilizadora escolhida para completar a planilha.

Para cada pendência, inclua uma próxima ação e alguém que possa encerrá-la. O cadastro não precisa conter contratos completos, laudos ou logs. Pode apontar para evidências em repositórios autorizados, indicando versão e responsável. Assim, a ficha orienta trabalho sem criar uma cópia descontrolada de material sensível.

Separe descoberta, avaliação e autorização

Uma área pode declarar que já utiliza uma ferramenta sem que seu uso tenha sido aprovado. Preserve essa distinção em campos separados: situação observada, situação da avaliação e decisão institucional. Se tudo aparecer como em uso, quem consultar o inventário poderá interpretar a presença na lista como autorização para repetir a prática.

Combine uma abordagem de descoberta com orientação clara sobre limites. A declaração deve permitir corrigir situações inadequadas, sem prometer anonimato que o processo não garante. Quando houver indício de exposição ou uso incompatível com as regras, encaminhe à área competente. Não espere a conclusão de todo o inventário para tratar uma ocorrência relevante.

Um exemplo hipotético ajuda: duas equipes usam a mesma ferramenta, mas somente uma possui ambiente institucional validado. O registro deve mostrar essa diferença. Nem a marca do produto nem a existência de uma licença paga demonstram, sozinhas, que dados e configurações atendem às condições de uso da instituição.

Priorize a revisão pela consequência do uso

Depois de conhecer os itens, organize a avaliação por impacto potencial, sensibilidade dos dados, alcance e reversibilidade. Uma ferramenta que apenas sugere redação para material público pede análise diferente de uma aplicação que influencia acesso a um serviço. Também observe se há uma pessoa com condições reais de revisar e recusar a saída.

Evite transformar uma soma arbitrária de pontos em conclusão automática. A prioridade precisa de justificativa curta e compreensível. Um caso com poucos usuários pode exigir atenção imediata se processa informações muito sensíveis ou executa ações externas. Uma aplicação amplamente usada pode demandar capacitação e acompanhamento mesmo sem decidir sobre direitos.

A avaliação de impacto ético aprofunda riscos e controles. O inventário fornece entradas para essa análise, mas não a substitui. Ao envolver dados pessoais, registre a necessidade de verificar finalidade, acesso e demais requisitos pertinentes, sem presumir que a ficha seja a própria avaliação jurídica.

Confirme o cadastro com quem conhece o processo

Envie a cada área uma relação dos usos identificados e peça correções sobre finalidade, estágio e responsabilidade. A conferência deve ocorrer com alguém que acompanhe a execução, não apenas com quem administra licenças. Uma ferramenta pode ter sido contratada e nunca utilizada, enquanto outra se tornou parte essencial da rotina sem registro formal.

Escolha uma pequena amostra para percorrer o fluxo, com dados sintéticos ou conteúdo autorizado. Confira se os sistemas citados existem, se a revisão descrita ocorre e se o responsável reconhece sua atribuição. A verificação não precisa capturar toda a operação; precisa testar se o cadastro representa o que realmente acontece.

Registre quem confirmou e em qual data. Divergências devem continuar visíveis até a decisão, acompanhadas de sua origem. Quando duas áreas atribuírem a responsabilidade uma à outra, encaminhe a definição à liderança competente. O inventário não resolve esse conflito ao escolher um nome por conveniência.

Vincule a atualização aos eventos da rotina

Defina gatilhos como contratação, início de piloto, ativação de recurso, troca de fornecedor, mudança de dados, alteração de finalidade e encerramento. Vincule o cadastro a processos que já existem, evitando depender apenas de uma campanha anual. Uma revisão periódica continua útil para localizar usos esquecidos e responsáveis que mudaram de função.

Mantenha histórico das alterações relevantes. Se a aplicação passou de apoio interno a atendimento ao público, registre a mudança, a avaliação e a decisão correspondente. Não substitua silenciosamente a descrição anterior. Esse histórico ajuda a compreender qual configuração estava autorizada quando ocorreu uma dúvida ou um incidente.

Acompanhe registros sem responsável, pendências vencidas e usos cuja última confirmação ficou antiga. Esses sinais orientam a manutenção. Quantidade de ferramentas cadastradas, isoladamente, não demonstra maturidade nem benefício. Um inventário menor, verificado e utilizado nas decisões pode ser mais útil que uma relação extensa que ninguém consulta.

Entregue uma primeira versão utilizável

A primeira versão deve delimitar áreas cobertas, método de descoberta e limitações. Declare o que ainda não foi examinado, sem afirmar que todo uso institucional foi encontrado. Apresente os casos prioritários, as responsabilidades confirmadas e as ações abertas. A liderança precisa saber o que pode decidir com aquela fotografia e o que exige investigação adicional.

O Grupo Edge relaciona inteligência artificial e agentes a processos, dados e supervisão. A apresentação institucional delimita a Politizai como principal operação materializada e governança de IA como frente de expansão. Este roteiro não anuncia ferramenta comercial de inventário: oferece critérios para conhecer os usos antes de ampliá-los.

Perguntas frequentes

Uma licença deve corresponder a um único registro?

Nem sempre. A mesma ferramenta pode ter usos com finalidades, dados e responsáveis diferentes. Registre essas aplicações separadamente quando a diferença alterar sua avaliação e mantenha a referência comum à ferramenta.

Estar no inventário significa que o uso foi autorizado?

Não. Situação observada, avaliação e autorização precisam ser registradas separadamente. Um uso pode ter sido declarado e continuar pendente de análise ou sujeito a restrição.